Sábado, Novembro 07, 2009

XURRAS NA LAJE – ANO DA FORMATURA


Ufa, e que xurras! Depois de quatro anos olhando pra'quele bar e lembrando quando a sala 701 descia em peso para cantar ao som do violão do Felipe, voltamos ao topo e confraternizamos à nossa formatura. Teve time de truco, torcidas de time, turma do fundão, reboladeras de plantão e sobrou sorriso e foto bonita.

Cheguei às 18h e acendi a churrasqueira. Quando os primeiros chegaram, já tinha frango e lingüiça, mas o caminho da felicidade mesmo estava na geladeira. Foi sem miséria. Skol gelada a noite inteira em uma noite que fez calor como se fosse dia. Deitamos uma garrafa de Smirnof pra completar.

É difícil querer citar alguns nomes aqui, até porque tava todo mundo bem e participou brilhantemente da festa, mas preciso destacar algumas coisas. A faixa da dupla Liliane e Camila foi uma puta ideia, sem dúvida. As meninas também quebraram na pista ao som do Black e samba, graças à benevolência da Tamires que trouxe o som, que apesar de pequeno foi muito importante. Quem quebrou bonito também foi a Isis, que preta linda! Aliás não sei se as mulheres podem dizer o mesmo, mas que lugar de mulher bonita.

Neguinho falou que ia ficar pelado e ficou jogando truco com a homarada, enquanto isso o tiozinho das fotos juntava uns aqui outros ali e mandava flash, aliás, ô festa pra ter flash, não? A Juliana, top model, tirou umas nervosas em cima da Dani e da Naty. No fundo, uns fugiram das fotos-flagras, outros fizeram questão de aparecer.

Para relembrar também as pessoas que começaram e não terminaram, tivemos a presença da Patrícia e do Diogueira, figuras carimbadas do nosso álbum. Só não sei se teve alguém que bebeu mais ali, porque tava todo mundo zen. A Roche soltou o verbo com o Renan e o Rogério soltou a voz pra cantar Palmeiras e gritar truco. Janis Lyn, sacudia um pouco ali e outro aqui. A Carol deu xhow, xhoupeta! Rsrsrs – A Adri chegou só final. Amigos do coração que ficarão para sempre.

Mas a Renata é certeza de ter entrado na classe depois da gente (risos).

Roubei a cena um pouco e dei meu recado no vídeo da Stillus. Estava feliz por ter conseguido ao lado do Eri uma festa tão legal, que teve defeitos, penetras, como toda festa, mas que foi marcante como poucas. O Erivelton idealizou e junto comigo promoveu o Xurras 2009, parabéns pra ele e pra todos que foram e fizeram a reunião mais legal da nossa turma. Muita gente pediu um repeteco, quem sabe teremos outro.

Domingo, Outubro 25, 2009

Sutiã de pano


Deus, quando fez a mulher, adornou suas linhas com belos seios, mas eis que a sociedade pós-moderna resolveu que eles deveriam ser grandes e duros. Será?

A estética partiu para a violência das cirurgias plásticas que obedeceram a “tendência” da moda. Seios redondos, bem servidos, duros e bicudos pipocaram com as mais abastadas que puderam fazer a cirurgia, mas a violência não parou ai. As mulheres de peito pequeno e sem grana estavam excluídas do pacote estético da Boa Forma e então surgiram os sutiãs com bojo, enchimento, E.V.A (?), e acabaram de vez com a sensualidade.

É raro hoje ver uma mulher que fuja desta atrocidade, mas quando elas aparecem são um verdadeiro colírio para os olhos de quem ama o corpo feminino. Como é gostoso perceber a liberdade das mulheres de peito (metaforicamente) ao desfilar ao vento suas curvas que obedecem a lei da gravidade de forma sutil e desenvolta. É lindo perceber que por baixo do sutiã de pano, os bicos podem desflorar com o frio e o vento, que as passadas apressadas podem fazê-lo subir e descer com a graça de uma bailarina. Que um debruce pode deixar a mostra a curva sinuosa e insinuante de um pequeno e maduro peito.

Esta ode ao sutiã de pano é mais um apelo que uma crítica. As mulheres não devem ficar presas ao passado e se manterem fora da moda, mas devem saber que os homens que gostam de mulher como elas são, preferem vê-la in natura. Nua, mesmo quando vestidas.

O calor chegando, o amor florescendo, e as regatas, vestidos, os decotes enfim, não merecem ser amparados pelo tecido sintético e agressivo, e sim pelas curvas e formas verdadeiras dos seios com suas texturas e cores diferentes. Nem sempre quanto maior melhor, o segredo do sucesso é ficar à vontade, se libertar das amarras que achatam ou machucam e deixá-los livres para voar no pensamento de quem admira a mulher como ela é.

Domingo, Outubro 11, 2009

Eu não me conformo!

Eu não quero saber das mudanças que vivi, não quero pensar mais no frio, nem no meu emprego, quero ter uma conversa com Deus, quero pegar a mochila e colocar dentro minha família para viajarmos o mundo, quero surfar num mar quente e com altas ondas, quero comer um peixe assado na brasa e deixar a pinga me entorpecer sem pensar na ressaca.

A cidade é suja, é molhada e ingrata. Minha casa também é fria, mas minha família não. Meu computador é novo, meu tênis também, mas meu carro é velho e minha prancha também.

Escapo todos os dias da morte dos meus ideais, sinto medo por mim, medo de desistir de tudo antes que algo realmente bom aconteça. Tenho tantas conquistas, mas nenhuma delas fez o mundo girar, nenhuma delas alcançou a dimensão das minhas ambições. O mundo continua a caminhar a passos largos para sua total destruição, que inclusive tem data na web para acabar. 21 dez 12. Será?

Pensando nisso, descubro que tenho pouco tempo. Pouco tempo para me tornar imortal, não pela academia, mas por milhares de pessoas que ainda vão ler minhas letras. Pelas mulheres que sentem a vibe de me curtir e saber o quanto posso mergulhar nesse universo que vai dominar o mundo em breve. Penso na sociedade como um teste de infidelidade. O mundo vai pra trás. Encorajam as mulheres a apanhar, os meninos a fumar, os trabalhadores a se conformar, e fazem com tanta facilidade que dá pra sentir o gosto da traição.

Ainda assim penso em como atingir o meio de toda a questão. Penso que estou perto, mas ainda cego de tudo que vou pintar e gravar.

Vou adiante com medo, com amor e com medo! Pelo menos agora, não vou falar do frio idiota que me aplaca, nem das minhas frustrações profissionais. Falo da paixão que ainda tenho em fazer o que faço de melhor, e ainda assim, me sentindo insuficiente na missão, deixo mais um registro porque simplesmente não me conformo.

Muito frio congela o cérebro

Dos dias frios desse ano eu já perdi as contas. Fiquei esperando ansiosamente por uma virada na primavera e ela não veio. O dia começa com a ventania típica de inverno e a garoa fina paulistana não dá trégua. Fico até sem jeito pra escrever sobre esse tempo de tempos incertos no clima. Que saudades do verão!

Lembro daquelas chuvas que espalham o cheiro do asfalto e são bem-vindas no calor. Lembro do sorvete de máquina que a gente compra na praia. Das meninas com pouca roupa e sandália. Lembro do surf em ondas pequenas e quentes, dos passeios pelo bairro sem destino para espantar o calor sufocante. O verão deixa lembranças coloridas na mente, o inverno deixa um inevitável gosto de tristeza no ar.

Eu me congelo também. Fico pensando entre um cigarro e outro o que poderia escrever para espantar o frio. Penso na tristeza de estar preso em casa. Nas blusas que me prendem no corpo, na minha vida inteira em preto e branco. Assim é a fotografia do inverno. Cinza, ela perturba não pela falta de cores apenas, mas pela falta de temas alegres, de vida intensa, de calor humano e também de sexo.

Ainda que pudesse espantar de vez o frio, ficaria impregnado das paredes que tentam me proteger. Enclausurado na falta de idéias falo sobre o frio como se fosse meu inimigo tentando me esconder. Falo sobre o frio tentando me aquecer. Não aqueço nem meu corpo, nem minhas idéias, e escrevo algo que não tem nada a ver, até nisso o frio me prende.

Enquanto o calor não vem, tento me esquivar de mais uma rajada. Fico aqui encolhido pensando nos textos que ainda não fiz, e meu tempo escoa junto com o vento.

Vou terminar esse texto pensando no verão. Eu de bermuda e sem camisa tomando um sorvete na praia depois de um surf. Quem sabe semana que vem ele não chega.

Domingo, Setembro 20, 2009

Tempo retrógado

O tempo corre pela vida da mesma maneira que a vida corre do tempo. Explico. Quando somos jovens e o tempo parece voar, você está a favor dele, ou seja, você vive enquanto o tempo passa, principalmente as crianças. Quando fica adulto o tempo é justo, ou melhor, apertado. O trabalho começa te roubar o tempo. Daí o tempo para quando você casa. Na verdade ele está cansado de você. Quer te humilhar, te apertar tanto que não vai ser fácil cumprir com tudo. Vêm as crianças.

Filhos são uma dádiva divina, são tudo de bom na vida mas são cruéis quando o assunto é tempo. Eles consomem seu tempo como se fosse uma ampulheta furada. Presencialmente, indiretamente, tacitamente, os pimpolhos vão arruinando seus projetos, momentos “coça-saco”, de “papo-pro-ar”, vão se tornando raros, até acabarem de vez.

A fase adulta tem mutações, por exemplo, não estou na fase adulta há pouco tempo, mas também não estou entrando na fase idosa, entende? Tenho apenas 33, mas sei que até lá falta pouco. Hoje o meu tempo une as três fases diferentes de como ele passa. Explico de novo. Sou casado há nove anos, temos duas filhas (uma ainda não nasceu, mas como disse, já toma meu tempo), estou no último ano da faculdade (o marmitão aqui demorou dez anos para ingressar uma) e para terminar, meu trabalho me faz correr dobrado no mesmo espaço de tempo, ou seja, faço em um dia o que qualquer normal faria em dois (sei que muita gente também o faz, mas não é demais?!) Assim sou jovem na faculdade, adulto em casa e um isoso no trabalho.



Não tenho mais tempo de continuar a fazer as ideias brotarem como gosto. Tenho que ir fazendo um tanto ali, outro acolá, mas deste jeito os projetos não vingam. Como já falei neste blog, minhas frustrações não me desanimam, eu até já tentei desanimar, mas não consigo, e isso é bom. Só acho estranho uma coisa. Quando estou de férias (e não resolvo pintar a casa) adivinha o que eu faço? Nada. Exatamente. As ideias fogem, as horas passam devagar, nenhum projeto é colocado em prática e ele sorrateiro impõe sua sentença final. Assiste minha vida passando sem que eu note sua presença. Estou falando do tempo, isso mesmo, ele que agora fez algum sentido nestas linhas.


Escrevi sobre o tempo porque estou sentindo ele me apertar nos últimos anos como nunca, mas também para lembrar a todos que ele está vivo, e enquanto você dorme, ele consome sua vida. Não deixe de dormir, muito menos de sonhar, mas faça valer os segundos tão caros que lhe são dados de graça.

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Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Bate-volta, fica

Neste feriado de 7 de setembro marcamos um bate-volta para a praia grande com uma rápida passada em Peruíbe para ver nosso terreno, e claro, um surf para quebrar o gelo. Fomos no dia 6 e de tudo aconteceu. A descida foi tensa com muita chuva dentro e fora do carro. Na primeira queda para o surf fiz três salvamentos nos perigosos bancos de areia, e terminamos com um mágico final de tarde.

Descemos em dois carros e todos muito animados, mas foi só até chegar à Imigrantes. A chuva apertou, a visibilidade foi pro saco e para piorar, minha prancha estava presa no teto com fitas que mandavam a água pra dentro. Aos poucos eu e a Déia ficamos ensopados.

Entre desistir e seguir viagem, fomos em frente. Chegando no apertamento todos sentaram no sofá e ficaram assistindo pica-pau, e eu rapidamente peguei minha prancha e fui pro mar antes que alguém falasse em ir embora. Ai começou o segundo perrengue.

Escolhi entrar perto de uma família porque a visibilidade no mar tava muito prejudicada. Antes de chegar à arrebentação vi uma mão girando no alto e cinco pessoas num “buraco” do banco de areia. Remei pra lá e chegando puxei um cara que tava se afogando. Na seqüência uma menina gritava “Eu sou criança, me ajuda, eu sou criança”. Peguei ela e levei até o cara que já estava seguro no banco de areia, voltei. Puxei mais um cara e duas meninas boiavam mais pro fundo.

Essa parte do resgate foi foda. Cheguei na primeira e disse para segurar minha cordinha. Reboquei ela até a parte rasa e senti que meus braços já pipocavam. Quando voltei, a outra estava desesperada e gritava o tempo todo. “Vai tio, vai tio” E eu falava pra ela me ajudar, mas nada. Trouxe ela também e muito cansado ouvi um dos caras perguntado se eu era salva-vidas. Disse que não, então ele me convidou para tomar uma depois. Ri da ironia involuntária e tentei surfar, mas não tinha braço e o mar tava grande. Voltei pro ap e contei minha saga.

Durante o almoço as coisas começaram a mudar. O sol despontava timidamente entre as nuvens e meu sogro confirmava nossa ida à Peruíbe. Nosso terreno tava lá, guardando nossos sonhos de construir uma casa grande e iluminada.

Na volta, sob protestos da gordinha (Déia) sentenciei: “ainda vou pegar umas ondas”. Era cedo e quando fui pro mar um dos carros subiu com parte da galera, foi ai que a mágica aconteceu.

No mar, as ondas estavam perrrfeeeeitas e mesmo cansado e fora de ritmo peguei algumas maravilhas, e quase sem luz fui agraciado com um arco-íris num visual de tirar o fôlego. Saí feliz e satisfeito com o esforço. Na areia, minhas filhas, a Déia e meu tio me esperavam.

Depois de um banho quente e um descanso fajuto, fomos todos à feirinha do Caiçara comer um tempurá. Tava demais, mandamos uns doces, refris e muitas conversas depois, com destaque para a chuva e o salvamento, claro, botamos o pé na estrada de novo.



Cheguei em casa só o pó, mas feliz de ter vivido tantas e diversas emoções no mesmo dia. O surf meio pesado me fez ter sonhos estranhos com armas e labirintos, mas me deu gás para mais uma semana de trampo e faculdade. Tenho certeza que tudo teve um propósito e em breve vou voltar a surfar ondas perfeitas como as de ontem, desta vez sem sustos ou perrengues.

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Domingo, Agosto 16, 2009

O último passo de uma vida em quatro anos

O último semestre do curso guarda ansiedade, felicidade, um pouco de angustia, um pouco de saco cheio também. Quatro anos de investimento que me revelam o quão é impreciso seu retorno. Penso na minha formação não como obrigação, e sim como crescimento de forma generalizada. Quero puxar o ar bem fundo nos pulmões pra seguir esse último passo como se fosse o primeiro.

Tantos sonhos e pretensões vão ficando pelo caminho que prefiro não pensar. O dinheiro é algo que não vou falar, pois nunca o tive, continuo não tendo e dei boa parte do que ganhei pra facu. É assim mesmo. Os amigos, estes sim merecem um capítulo especial.

Já meio véio pros colegas que encontrei fui surpreendido por amizades verdadeiras. A Rochelle e seu jeito implacável de lidar com as coisas. Rogério e seu apetite interminável pela perfeição. Janis e sua quase calada e brilhante jornada; e o Renan, com o seu zen jornalismo, um profundo pacifista da guerra que cria. Amigos que tenho a honra de carregar pra onde quer que eu vá.

Além de tudo isso, ser representante dessa turma por quase todos os semestres me fez conhecer boa parte dos alunos. Um amigo aqui outro acolá vão permanecer comigo também, mas a função em si me deixou muito aprendizado. O primeiro deles é que é preciso disponibilidade para realizar um bom trabalho. Não fui um bom representante, mas tentei bastante.

Do outro lado, assistindo um desfile de ignorantes, como bem definiu minha melhor professora, Cilene Victor, os mestres terminam vendo uma caixa de ideias que irão perpetuar a história deste país e do mundo crentes no poder de transformação que o conhecimento proporciona. Tantas cabeças empenhadas em enriquecer seres alheios a sua jornada, que muitas vezes criticam uma performance ou a sua própria vida, merecem a reverência de todos nós.

É isso. Detento de novo dos livros que completarão minha formação voltarei a falar desta vida em quatro anos com certeza, sacramentando o alívio não apenas de ter conseguido, mas de ter feito o melhor em todos os momentos.

Domingo, Julho 12, 2009

A sombra da eternidade

Eu tive um sonho, e como muitas vezes acontece, foi uma revelação. Eu quero ser cineasta. Mas precisaria inventar um tipo de chip que filmasse um desses sonhos que me perturbam. Neles eu corro pelado sem ser notado, voo sem capa, sou baleado e não morro. Atiro e mato. Um super-herói de mim mesmo.

Um vulto psicótico que abala as estruturas de uma noite tranqüila
Fico escondido nos filmes e músicas que escuto e vejo sem pensar.
Na verdade eu penso muito. Penso tanto que meu cérebro tende a enlouquecer. Fico imaginando coisas que posso fazer e outras que não quero e descubro que são as mesmas.

Tenho relações sexuais com musas que se beijam depois de vinhos caros em lugares europeus. Lugares europeus ficam na Europa, apesar da obviedade, às vezes invento um subúrbio parisiense na periferia paulistana. Um lugar glamouroso cheio de luzes que pipocam a embriagues.

As traições, o sofrimento e a desilusão, quase sempre sem final feliz, perturbam mais, embora deixem sempre a sensação que o final foi mal escolhido. Penso numa cena ápice e me vejo num diálogo quase sem palavras; têm olhares intensos, olhos úmidos, bocas vermelhas tremeluzentes.

Perdi o roteiro com o amanhecer. Sumiram os diálogos, as tomadas, as sequências sem lógica e principalmente as atrizes gostosas. Juntei o diretor, o ator principal e toda a produção e mandei embora. Um cineasta de scripts improváveis em locações baratas e desconhecidas. Não filmo minha própria morte. Algodão no meu nariz, um trash que recusei.